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Agostinho Neto
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Agostinho Neto Presidente de Angola Mandato: 11 de novembro de 1975 - 10 de Setembro de 1979 Sucedido por: José Eduardo dos Santos Data de nascimento: 17 de Setembro de 1922 Local de nascimento: Ícolo e Bengo Data da morte: 10 de Setembro de 1979 Local da morte: Moscou Partido político:MPLA Profissão: médico António Agostinho Neto (Ícolo e Bengo, 17 de Setembro de 1922 — Moscovo, 10 de Setembro de 1979) foi um médico angolano, formado na Universidade de Lisboa, que em 1975 se tornou o primeiro presidente de Angola até 1979. Em 1975-1976 foi-lhe atribuído o "Prêmio Lênin da Paz". Fez parte da geração de estudantes africanos que viria a desempenhar um papel decisivo na independência dos seus países naquela que ficou designada como a Guerra Colonial Portuguesa ou Guerra do Ultramar como também é conhecida. Foi preso pela PIDE e deportado para o Tarrafal, sendo-lhe fixada residência em Portugal, de onde fugiu para o exílio. Aí assumiu a direcção do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), do qual já era presidente honorário desde 1962. ![]() Mausoléu de Agostinho Neto em Luanda Foi substituído por José Eduardo dos Santos. [editar] Obra literária Poesia
OBSERVAÇÃO !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! (»..») !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Nunca como hoje temos a possibilidade de conhecer melhor a história de Angola. Aqui estamos nós no Angolaxyami.com, criando um espaço para confronto de ideias sobre estas informações. Aqui podemos começar a (REVER) tudo aquilo que sempre ouvimos, mas que ninguém certificou... É evidente que nunca teremos uma história escrita com ideias homogéneas, mas teremos um resumo que se aproxima mais e mais a realidade dos factos. O Projecto Angola Xyami contempla a criação de uma "Enciclopédia Angolana", inteiramente dedicada ao NOSSO PAÍS. Wiki - Angola, Angola e Angola. Conheça primeiro quem és... o resto te será dado. Arte, Cultura, Política, Religião, Moral, etc. Todos os campos do agir angolano. Todas as contribuições serão necessárias e bem vindas. Inicialmente os textos serão publicados aqui para confrontos e posteriormente no site-enciclopédia. -> O texto sobre AGOSTINHO NETO não traz nenhuma BIBLIOGRAFIA, é um resumo dos resumos porque nós cremos que a histórias dos grandes e históricos partidos angolanos não se escrevem em quatro linhas. Deixe o teu ponto de vista e aumente mais informações. Nomes, livros, links, imagens, etc. Obs: Esperamos de todos os que lerem estes textos - seriedade, espírito de participação, mente aberta e sobretudo profundo interesse em contribuir no crescimento cultural angolano. ![]() ESTE POST se inserem no âmbito do "Projecto Angola Xyami" que contempla a criação de uma Enciclopédia Angolana - Angola Xyami. Sobre a Enciclopédia teremos muito tempo para falar, mas fica o convite à todos os espertos de todos os campos do saber a debruçarem-se. - Método - Estrutura - Temas - Autores - etc. CONTAMOS CONTIGO! Contamos com todos os angolanos e amigos e de Angola (Salve este link)
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Agostinho Neto “versus” Alda Lara
Poesia, patriotismo e diáspora António Agostinho Neto e Alda Lara, médicos e celebrados poetas angolanos, tiveram em comum duas outras características não menos emocionantes: o amor por Angola em versos que circulam pelo Mundo inteiro e também o anunciado e cumprido desejo, por ambos expresso enquanto na diáspora, de regressarem à sua terra. Neto, político visceral e impulsivo, natural de Icolo e Bengo, reflectia sobretudo o país inteiro. Alda, na sua fragilidade sentimental feminina, poetisa de apuradas adrenalinas, tinha em vista horizontes políticos menos programáticos e sobretudo arteriais: a humana e emocional geografia social de Angola, os seus dramas e alegrias, com Benguela por epicentro. Neto escreveu: “Havemos de Voltar” e falava de política. Alda, mais repentista, jurou numa magnífica ode de grande firmeza patriótica a partir do exterior, nos idos anos da década de 60 do século passado em Portugal, a nostalgia impaciente do regresso: “Sim! Eu hei-de voltar, tenho de voltar, não há nada que me impeça. Com que prazer hei-de esquecer toda esta luta insana, porque em frente está a terra angolana a prometer o mundo a quem regressa.” Agostinho Neto tinha uma proposta política, Alda Lara uma escolha sentimental. Ele empunhava uma pistola invisível (na realidade, uma caneta de aparo afiado como navalha) com a qual alvejava os seus inimigos mais próximos: o regime fascista/colonial português e seus executantes. Lara, a menina de Benguela, mana querida do Ernesto Lara Filho, transpirava sentimentos e capacidades de resposta para a área social. Neto escreveu: “Minha mãe (todas as mães negras cujos filhos partiram) tu me ensinaste a esperar como esperaste nas horas difíceis. Mas a vida matou em mim essa mística esperança. Eu já não espero sou aquele por quem se espera.” Neto e Alda, no testemunho das suas escritas, acabaram por se complementar. Neto foi o líder político que fundou a nacionalidade angolana e seu primeiro presidente. Alda, a arauto da sociedade civil. Hoje, Angola não sobreviveria à falta de memória de qualquer deles. Lutaram pela Pátria, em determinado momento e conjuntura, com as armas de que dispunham. O amor deles pelo país, as suas certezas e desafios, tinham muito de simultâneo. Manguchi fez política com a poesia, Alda entregou-se a uma poesia em que a política, estando implícita, é sobretudo do foro dos sentimentos. Agostinho Neto, de Icolo e Bengo, também sofria as angústias do exílio. No seu livro “Sagrada Esperança”, escreveu o seguinte poema de expectativa emocional, todavia marcado pelo espectro da saudade numa referência ao seu regresso temporário a Angola, em meados da década de 50, antes de voltar a ser preso e conhecer o exílio: “Quando voltei as casuarinas tinham desaparecido da cidade. E também tu amigo Liceu (Vieira Dias) voz consoladora dos ritmos quentes da farra nas noites dos sábados infalíveis”. Alda Lara, porém, trazia a Angola social à flor dos lábios nos poemas de amargura que escrevia durante a sua diáspora estudantil, pensando no regresso adivinhado e decidido: “Quando eu voltar, que se alongue sobre o mar o meu canto ao Criador! Porque me deu vida e amor para voltar. Mas Agostinho Neto, poeta suficiente nos intervalos da política, agitador, estratego político e conspirador independentista com sucesso demonstrado pela independência de Angola em 11 de Novembro de 1975, já ia mais longe: “Às casas, às nossas lavras às praias, aos nossos campos havemos de voltar. (...) Havemos de voltar à Angola libertada Angola independente”. Voltaram ambos para ser sepultados na sua terra. Primeiro Alda, tarde demais para intervir no tecido social do país, como pretendia. Depois Neto, que programou e fez cumprir a independência nacional devolvendo o país aos seus filhos, finando-se três anos depois. Em glória, mas também sem muito tempo para usufruir e deleitar-se com o Estado livre que o seu pulso de chefe fez brotar. Alda Lara, a poetisa de Benguela que faleceu prematuramente em 1962, anda esquecida em Angola por uma certa intelectualidade que, não obstante, não desconhece a importância da sua obra literária e o lugar de excelência que lhe cabe na literatura angolana, em que foi e é até hoje a voz feminina de maior sensibilidade, aliando ao acervo poético significativo que deixou, uma oficina de escrita passível de ser classificada já na década de 60 do século findo como de modernidade. Cantou Angola, seu país idolatrado em cada verso de poemas destilados por uma alma grávida de fantasias, sonho e saudades da pátria, nas longas noites de Benguela, Lisboa e Coimbra, onde durante anos estudou e se formou em Medicina. A herança poética legada transpira a exílio, saudade obsessiva da terra angolana, suas gentes, os lugares da infância, os amigos e as expectativas de um futuro em que pretendia participar logo que possível com o seu contributo profissional de médica. Os seus poemas, editados postumamente num volume único de obras completas pelas Publicações Imbondeiro, da Huíla, constituem um testemunho de angolanidade e um tesouro literário que as novas gerações têm o direito de conhecer. Deixou de escrevê-los em 30 de Janeiro de 1962, apenas alguns dias antes de ser sepultada no pequeno cemitério do Dondo, perto de uma acácia rubra que, por certo, passou a florir o ano inteiro em homenagem à sua sensibilidade e às suas odes de refinada arquitectura poética, invulgar para a época. No poema que intitulou “Presença Africana”, Alda Lara, a poetisa de Benguela, escreveu os versos épicos e comoventes que se seguem: “E apesar de tudo ainda sou a mesma! Livre e esguia filha de quanta rebeldia me sagrou. Mãe-África! Mãe forte da floresta e do deserto, ainda sou a Irmã-Mulher de tudo o que em ti vibra puro e incerto... Este discurso poético, claramente nacionalista, cultural e reivindicativo de Alda era já um grito de revolta quando tinha a idade de 23 anos. Quantos de nós, transportados a essa época, gostaríamos de ter sabido escrever com a mesma aptidão literária sentimentos tão simples, mas de tanta determinação e esmerada técnica. E, no entanto, muitos dos que beberam inspiração poética (e até patriótica) na obra desta insigne filha da Cidade das Acácias Rubras, irmã do também notável poeta Ernesto Lara Filho, fazem hoje vista grossa à importância do seu testamento de (também ela) precursora de uma pré-poesia angolana que à época despontava. Alda Pires Barreto de Lara e Albuquerque (o último dos apelidos obtido por casamento com Orlando de Albuquerque, médico moçambicano que trabalhou longos anos em Angola e que foi também um conceituado escritor e crítico literário) nasceu em Benguela em 9 de Junho de 1930 e ali passou grande parte da sua infância, por certo a coleccionar emoções que derramaria mais tarde na poesia que escreveu. Filha de um comerciante abastado, foi criada no característico meio crioulo da urbe das Acácias Rubras da década de 30, onde apesar da circunstância colonial não faltavam cultores da velha escola republicana portuguesa anterior ao Estado Novo, a par de remanescentes dos tempos da tipóia e do comércio sertanejo. A princesa das poetisas angolanas teve, como era próprio do seu tempo, uma educação profundamente cristã. Seu marido escreveu em breve biografia dela, na obra “Alda Lara - a Mulher e a Poetisa” (Publicações Imbondeiro, 1967), que essa formação multidisciplinar lhe conferiu sempre “um vincado espírito de liberalismo”. Fez a instrução primária em Benguela, sempre franzina de corpo e de saúde, frequentando depois um colégio de madres em Sá da Bandeira (actual Lubango), onde prosseguiu estudos até ao 6º ano. Depois partiu para Lisboa, onde terminaria os estudos liceais e frequentou a Faculdade de Medicina, não se limitando a aprender a curar pessoas, mas destacando-se também como dirigente estudantil. E ainda arranjava tempo para se dedicar à literatura, fazendo conferências e palestras, escrevendo alguns dos belos poemas que nos deixou e convivendo com outros jovens literatos angolanos que, como ela, viriam a ser celebrizados na literatura nacional. Em Lisboa, lidou com poetas seus compatriotas como Alexandre Dáskalos e Agostinho Neto. E seguia de perto a produção poética feita em Angola por outros vates efervescentes que viriam a ser emblemáticos, como António Jacinto, Viriato da Cruz, António Cardoso e Aires de Almeida Santos. Casou em Portugal com o médico Orlando de Albuquerque, após uma breve visita a Benguela para visitar a família, indo depois viver em Coimbra, onde o marido exerceu clínica antes de ser transferido para Angola. A sua saúde era, já então, precária. Sofria de crises de asma e padecia de uma úlcera duodenal. Mas quando concluiu o curso de Medicina já era mãe de quatro filhos, um dos quais lhes seguiu as pisadas de médico, Pedro Albuquerque, especialista em oftalmologia e oficial das Forças Armadas Angolanas (FAA), onde continua a exercer carreira clínica profissional e chefia de serviços. Alda, que após a transferência de Orlando de Albuquerque para o hospital de Cambambe ficara em Coimbra para terminar o seu curso de Medicina, que concluiu com elevada classificação ao apresentar uma tese de licenciatura sobre psiquiatria infantil, não resistiu por muito mais tempo ao apelo do seu inesgotável amor por Angola, nem às saudades da família. Em Agosto de 1961, juntou-se ao marido na pequena localidade, ali trabalhando com ele, médico de serviço na terra. Mas apenas teve mais cinco meses de vida após o regresso, dado o seu estado clínico terminal. Faleceu em 30 de Janeiro de 1962. Foi sepultada no velho cemitério do Dondo, onde uma acácia de belas flores vermelhas, a avivar lembranças da sua meninice em Benguela, deve ter decorado os seus versos. Ela e Neto foram os dois mais altos índices da nacionalidade cultural de Angola, homem e mulher. Era tempo de serem recuperados nas suas particularidades menos afloradas: falo da faceta sentimental de Agostinho Neto e do referencial político da poetisa de Benguela. E acho que valeria a pena os especialistas ocuparem-se disso. João Serra JA |
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Agostinho Neto
(Kaxicane 17 de Setembro de 1922, - Moscovo 1997) Agostinho Neto nasceu na aldeia de Kaxicane, região de Icolo e Bengo, a cerca de 60 km de Luanda. O pai era pastor e professor da Igreja Metodista e, a sua mãe, era igualmente professora. Após ter concluído o curso liceal em Luanda, trabalhou nos serviços de saúde e viria a tornar-se rapidamente uma figura proeminente do movimento cultural nacionalista que, durante os anos quarenta, conheceu uma fase de vigorosa expansão em Angola. Decidido a formar-se em Medicina, embarca para Portugal em 1947 e matricula-se na Faculdade de Medicina de Coimbra, e posteriormente na de Lisboa. Dois anos depois da sua chegada à Portugal, foi-lhe concedida uma bolsa de estudos pelos Metodistas Americanos. Envolve-se desde muito cedo em actividades políticas sendo preso em 1951, quando reunia assinaturas para a Conferência Mundial da Paz em Estocolmo. Após a sua libertação, retoma as actividades politicas e torna-se representante da Juventude das colónias portuguesas junto do Movimento da Juventude Portuguesa, o MUD juvenil. E foi no decurso de um comício de estudantes a que assistiam operários e camponeses que a PIDE o prendeu pela segunda vez, em Fevereiro de 1955 só vindo a ser posto em liberdade em Junho de 1957. Por altura da sua prisão em 1955 veio ao lume um opúsculo com poemas seus, que denunciavam as amargas condições de vida do Povo angolano. A sua prisão desencadeou uma vaga de protestos em grande escala. Realizaram-se encontros; escreveram-se cartas e enviaram-se petições assinadas por intelectuais franceses de primeiro plano, como Jean-Paul Sart, André Mauriac, Aragon e Simone de Beauvoir, pelo poeta cubano Nicolás Gullén e pelo pintor mexicano Diogo Rivera, e em 1957, Agostinho Neto, foi eleito Prisioneiro Político do Ano pela Amnistia Internacional. Em 1958, Agostinho Neto licenciou-se em Medicina e, casou com Maria Eugénia, no próprio dia em que concluiu o curso. Neste mesmo ano, foi um dos fundadores do clandestino Movimento Anticolonial (MAC), que reunia patriotas oriundos das diversas colónias portuguesas. Em 30 de Dezembro de 1959. Neto voltou ao seu País, com a mulher, Maria Eugénia, e o filho de tenra idade, e passou a exercer a medicina entre os seus compatriotas. Em 8 de Junho de 1960, o director da PIDE veio pessoalmente prender Neto no seu Consultório em Luanda. Uma manifestação pacífica realizada na aldeia natal de Neto em protesto contra a sua prisão foi recebida pelas balas da polícia. Trinta mortos e duzentos feridos foi o balanço do que passou a designar-se pelo Massacre de Icolo e Bengo. Receando as consequências que podiam advir da sua presença em Angola, mesmo encontrando-se preso, os colonialistas transferiram Neto para uma prisão de Lisboa e, mais tarde enviaram-no para Cabo Verde, para Santo Antão e, depois para Santiago, onde continuou a exercer a medicina sob constante vigilância política. Foi, durante este período, eleito Presidente Honorário do MPLA. Por mostrar a alguns amigos em Santiago (Cabo Verde) uma fotografia, em que um grupo de jovens soldados portugueses sorriam para a câmara, segurando um deles uma estaca em que foi espetada a cabeça de um angolano e inserta em diversos jornais (por exemplo, no Afrique Action, semanário que se publica em Tunes) Agostinho Neto foi preso na cidade da Praia em 17 de Outubro de 1961 e transferido depois para a prisão de Aljube em Lisboa. Sob forte pressão, interna e externa, as autoridades fascistas viram-se obrigadas a libertar Neto em 1962, fixando-lhe residência em Portugal. Todavia, pouco tempo depois da saída da prisão, Agostinho Neto, em Julho de 1962, saiu clandestinamente de Portugal com a mulher e os filhos pequenos, chegando a Léopoldville (Kinshasa), onde o MPLA tinha ao tempo a sua sede exterior, Em Dezembro desse ano, foi eleito presidente do MPLA durante a Conferência Nacional do Movimento. Em 1970 foi-lhe atribuído o Prémio Lótus, pela Conferência dos Escritores Afro-Asiáticos Com a "Revolução dos Cravos" em Portugal e a derrocada do regime fascista de Salazar, continuado por Marcelo Caetano, em 25 de Abril de 1974, o MPLA considerou reunidas as condições mínimas indispensáveis, quer a nível interno, quer a nível externo, para assinar um acordo de cessar-fogo com o Governo Português, o que veio a acontecer em Outubro do mesmo ano. Agostinho Neto regressa a Luanda no dia 4 de Fevereiro de 1975, sendo alvo da mais grandiosa manifestação popular de que há memória em Angola Agostinho Neto que na África de expressão portuguesa é comparável à Léopold Senghor na África de expressão francesa. foi um esclarecido homem de cultura para quem as manifestações culturais tinham de ser, antes de mais, a expressão viva das aspirações dos oprimidos, armas para a denúncia de situações injustas, instrumento para a reconstrução da nova vida. Membro fundador da União dos Escritores Angolanos, foi eleito pelos seus pares o seu primeiro Presidente. Fontes: http://www2.ebonet.net/MPLA/bio_aneto.htm#top Bibliografia: Quatro Poemas de Agostinho Neto, 1957, Póvoa do Varzim, e.a.; Poemas, 1961, Lisboa, Casa dos Estudantes do Império; Sagrada Esperança, 1974, Lisboa, Sá da Costa (inclui os poemas dos dois primeiros livros); A Renúncia Impossível, 1982, Luanda, INALD (edição póstuma). |
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Biografua resumida de António Agostinho Neto - político, poeta e médico
Biografia (resumida): António Agostinho Neto (Icolo e Bengo, 17 de Setembro de1922 — Moscovo, 10 de Setembro de 1979) formado em medicina pela Universidade de Lisboa, em 1975 tornou-se o primeiro Presidente de Angola, cargo que ocupou até 1979, ano em que faleceu. Em 1975-1976 foi-lhe atribuído o Premio Lenin da Paz. Fez parte da geração de estudantes africanos que viria a desempenhar um papel decisivo na independência dos seus países naquela que ficou designada como a Guerra Colonial Foi preso pela PIDE e deportado para o Tarrafal (campo de concentracao no Arquipelago de Cabo verde) sendo-lhe fixada residência em Portugal, de onde fugiu para o exilio. Aí assumiu a direcção do MPLA, (Movimento Popular para a Libertacao de Angola) do qual já era presidente honorário desde 1962. Obra literária Poesia: 1957 - Quatro Poemas de Agostinho Neto, Povoa de Varzim e.a. 1961 - Poemas, Lisboa, Casa dos Estudantes do Império 1974 - Sagrada Esperança, Lisboa, Sá da Costa (inclui os poemas dos dois primeiros livros) 1982 - A Renúncia Impossível, Luanda, INALD (edição póstuma) Política: 1974 - Quem é o inimigo... qual é o nosso objectivo? 1976 - Destruir o velho para construir o novo 1980 - Ainda o meu sonho Negação Não creio em mim Não existo Não quero eu não quero ser Quero destruir-me atirar-me de pontes elevadas e deixar-me despedaçar sobre as pedras duras das calçadas Pulverizar o meu ser desaparecer não deixar sequer traço de passagem pelo mundo quero que o não-eu se aposse de mim Mais do que um simples suicídio Quero que esta minha morte seja uma verdadeira novidade histórica um desaparecimento total até mesmo nos cérebros daqueles que me odeiam até mesmo no tempo e se processe a História e o mundo continue como se eu nunca tivesse existido como se nenhuma obra tivesse produzido como se nada tivesse influenciado na vida se em vez de valor negativo eu fosse zero Quero ascender elevar-me até atingir o Zero e desaparecer Deixai-me desaparecer! Mas antes vou gritar Com toda a força dos meus pulmões Para que o mundo oiça: - Fui eu quem renunciou a Vida! Podeis continuar a ocupar o meu lugar Vós os que mo roubastes Aí tendes o mundo todo para vós para mim nada quero nem riqueza nem pobreza nem alegria nem tristeza nem vida nem morte nada Não sou Nunca fui Renuncio-me Atingi o Zero E agora vivei cantai chorai casai-vos matai-vos embriagai-vos dai esmolas aos pobres Nada me pode interessar que eu não sou Atingi o Zero Não contem comigo para vos servir as refeições nem para cavar os diamantes que vossas mulheres irão ostentar em salões nem para cuidar das vossas plantações de algodão e café não contem com amas para amamentar os vossos filhos sifilíticos não contem com operários de segunda categoria para fazer o trabalho de que vos orgulhais nem com soldados inconscientes para gritar com o estômago vazio vivas ao vosso trabalho de civilização nem com lacaios para vos tirarem os sapatos de madrugada quando regressardes de orgias noturnas nem com pretos medrosos para vos oferecer vacas e vender milho a tostão nem com corpos de mulheres para vos alimentar de prazeres nos ócios da vossa abundância imoral Não contem comigo Renuncio-me Eu atngi o Zero E agora podeis queimar os letreiros medrosos que às portas de bares hotéis e recintos públicos gritam o vosso egoismo nas frases “SÓ PARA BRANCOS” ou COLOURED MEN ONLY” Negros aqui brancos acolá E agora podeis acabar com os miseráveis bairros de negros que vos atrapalham a vaidade Vivei satisfeitos sem colour lines sem terdes que dizer aos frequeses negros que os hotéis estão abarrotados que não há mais mesas nos restaurantes Banhai-vos descansados nas vossas praias e piscinas que nunca houve negros no mundo que sujassem as águas ou os vossos nojentos preconceitos com a sua escura presença Dissolvei o Ku-Klux-Klan que já não há negros para linchar! Porque hesitais agora! ao menos tendes oportunidade para proclamardes democracias com sinceridade Podeis inventar uma nova história inclusivamente podeis inventar uma nova mística direis por exemplo: No princípio nós criamos o mundo Tudo foi feito por NÓS E isso nada me interessa Ah! que satisfação eu sinto por ver-vos alegres no vosso orgulho e loucos na vossa mania de superioridade Nunca houve negros! A África foi construida só por vós A América foi colonizada só por vós A Europa não conhece civilizações africanas Nunca houve beijos de negros sobre faces brancas nem um negro foi linchado nunca matastes pretos a golpes de cavalomarinho para lhes possuirdes as mulheres nunca estorquistes propriedades a pretos não tendes nunca tivestes filhos com sangue negro ó racistas de desbragada lubricidade Fartai-vos agora dentro da moral! Que satisfação eu sinto por não terdes que falsear os padrões morais para salvaguardar o prestígio a superioridade e o estômago dos vossos filhos Ah! O meu suicídio é uma novidade histórica é um sádico prazer de ver-vos bem instalados no vosso mundo sem necessidade de jogos falsos Eu elevado até o Zero eu transformado no Nada-histórico eu no início dos tempos eu-Nada a confundir-me com vós-Tudo sou o verdadeiro Cristo da Humanidade! Não há nas ruas de Luanda negros descalços e sujos a pôr nódoas nas vossas falsidades de colonização Em Lourenço Marques em New York em Leopoldville em Cape Town gritam pelas ruas fogueteando alegrias nos ares - Não há negros nas ruas! Nunca houve Não há negros preguiçosos a deixar os campos por cultivar e renitentes à escravização já não há negros para roubar Toda a riqueza representa agora o suor do rosto e o suor do rosto é a poesia da vida Viva a poesia da vida! Viva! Não existe música negra Nunca houve batuques nas florestas do Congo Quem falou em spirituals? Os salões enchem-se de Debussy Strauss Korsakoff que não há selvagens na terra Viva a civilização dos homens superiores sem manchas negróides a perturbar-lhe a estética! Viva! Nunca houve descobrimentos a África foi criada com o mundo O que é a colonização? O que são os massacres de negros? O que são os esbulhos de propriedade? Coisas que ninguém conhece A história está errada Nunca houve escravatura Nunca houve domínio de minorias orgulhosas da sua força Acabei com as cruzadas religiosas A fé está espalhada por todo o mundo sobre a terra só há cristãos VÓS sois todos cristãos Não há infiéis por converter Escusais de imaginar mais infidelidades religiosas para justificar repugnantes actos de barbarismo Não necessitais enviar mais missionários a África nem nos bairros de negros Nunca houve mahamba nem concepções religiosas diferentes nunca houve religiosos a auxiliar a ocupação militar Acabai com os missionários os seus sofismas os seus milagres inventados para justificar ambições e vaidades Possuis tudo TUDO e sois todos irmãos Continuai com os vossos sistemas políticos ditaduras democráticas isso é convosco Explorai o proletariado matai-vos uns aos outros lutai pela glória lutai pelo poder criai minorias fortes apadrinhai os afilhados dos vossos amigos criai mais castas aburguesai as ideias e tudo sem a complicação de verdes intrusos imiscuir-se na vossa querida e defendida civilização de homens privilegiados E agora homens irmãos daí-vos as mãos gritai a vossa alegria de serdes sós SÓS! únicos habitantes da terra Eu artingi o Zero Isto significa extraordinariamente a vossa ética Ao menos não percais a ocasião para serdes honestos Se houver terramotos calamidades cheias ou epidemias ou terras a defender da evasão das águas ou motores parados em lamas africanas raios vos partam! já não tereis de chamar-me para acudir as vossas desgraças para reparar os vossos desastres ou para carregar com a culpa das vossas incúrias Ide para o diabo! Eu não existo Palavra de honra que nunca existi Atingi o Zero o Nada Abençoada a hora do meu super-suicídio para vós homens que construís sistemas morais para enquadrar imoralidades O sol brilha só para vós a lua reflecte luz só para vós nunca houve esclavagistas nem massacres nem ocupações da África Como até a história se transforma num tratado de moral sem necessidade de arranjos apressados! Os pretos dos cais não existem Nunca foram ouvidos cantos dolentes misturados com a chiadeira do guindaste Nunca pisaram os caminhos do mato carregadores com sem quilos às costas são os motores que se queimam sob as cargas Ó pretos submissos humildes ou tímidos sem lugar nas cidades ou nos escaninhos da honestidade ou nos recantos da força dançarinos com a alma poisada no sinal menos polígamos declarados dançarinos de batuques sensuais Sabeis que subistes todos de valor atingistes o Zero sois Nada e salvastes o homem Acabou-se o ódio e o trabalho de civilização e a náusea de ver meninos negros sentados na escola ao lado de meninos de olhos azuis e as extorções e compulsões e as palmatoadas e torturas para obrigar inocentes a confessar crimes e medos de revolta e as complicadas demarches políticas para iludir as almas simples Acabaram-se as complicações sociais! Atingi o Zero Cheguei à hora do início do mundo e resolvi não existir Cheguei ao Zero-Espaço ao Nada-Tempo ao eu coincidente com vós-Tudo E o que é mais importante: Salvei o mundo! Agostinho Neto In A Renuncia Impossivel |
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| Digg - Biografia de António Agostinho Neto, 1o presidente de Angola | This thread | Refback | 02-06-2009 03:44 PM | |