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Antigo 04-14-2008, 02:07 AM
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Lightbulb Biografia de António Agostinho Neto, primeiro presidente de Angola, Mpla

Agostinho Neto

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Agostinho Neto


Presidente de Angola

Mandato:
11 de novembro de 1975 - 10 de Setembro de 1979

Sucedido por:
José Eduardo dos Santos

Data de nascimento:
17 de Setembro de 1922

Local de nascimento:
Ícolo e Bengo

Data da morte:
10 de Setembro de 1979

Local da morte:
Moscou

Partido político:
MPLA

Profissão:
médico

António Agostinho Neto (Ícolo e Bengo, 17 de Setembro de 1922Moscovo, 10 de Setembro de 1979) foi um médico angolano, formado na Universidade de Lisboa, que em 1975 se tornou o primeiro presidente de Angola até 1979. Em 1975-1976 foi-lhe atribuído o "Prêmio Lênin da Paz".

Fez parte da geração de estudantes africanos que viria a desempenhar um papel decisivo na independência dos seus países naquela que ficou designada como a Guerra Colonial Portuguesa ou Guerra do Ultramar como também é conhecida. Foi preso pela PIDE e deportado para o Tarrafal, sendo-lhe fixada residência em Portugal, de onde fugiu para o exílio. Aí assumiu a direcção do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), do qual já era presidente honorário desde 1962.



Mausoléu de Agostinho Neto em Luanda


Foi substituído por José Eduardo dos Santos.

[editar] Obra literária

Poesia
  • 1957 Quatro Poemas de Agostinho Neto, Póvoa do Varzim, e.a.
  • 1961 Poemas, Lisboa, Casa dos Estudantes do Império
  • 1974 Sagrada Esperança, Lisboa, Sá da Costa (inclui os poemas dos dois primeiros livros)
  • 1982 A Renúncia Impossível, Luanda, INALD (edição póstuma)
Política
  • 1974 - Quem é o inimigo... qual é o nosso objectivo?
  • 1976 - Destruir o velho para construir o novo
  • 1980 - Ainda o meu sonho


OBSERVAÇÃO

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Nunca como hoje temos a possibilidade de conhecer melhor a história de Angola. Aqui estamos nós no Angolaxyami.com, criando um espaço para confronto de ideias sobre estas informações. Aqui podemos começar a (REVER) tudo aquilo que sempre ouvimos, mas que ninguém certificou...

É evidente que nunca teremos uma história escrita com ideias homogéneas, mas teremos um resumo que se aproxima mais e mais a realidade dos factos.

O Projecto Angola Xyami contempla a criação de uma "Enciclopédia Angolana", inteiramente dedicada ao NOSSO PAÍS. Wiki - Angola, Angola e Angola. Conheça primeiro quem és... o resto te será dado. Arte, Cultura, Política, Religião, Moral, etc. Todos os campos do agir angolano. Todas as contribuições serão necessárias e bem vindas.
Inicialmente os textos serão publicados aqui para confrontos e posteriormente no site-enciclopédia.

-> O texto sobre AGOSTINHO NETO não traz nenhuma BIBLIOGRAFIA, é um resumo dos resumos porque nós cremos que a histórias dos grandes e históricos partidos angolanos não se escrevem em quatro linhas.

Deixe o teu ponto de vista e aumente mais informações. Nomes, livros, links, imagens, etc.

Obs: Esperamos de todos os que lerem estes textos - seriedade, espírito de participação, mente aberta e sobretudo profundo interesse em contribuir no crescimento cultural angolano.

ESTE POST se inserem no âmbito do "Projecto Angola Xyami" que contempla a criação de uma Enciclopédia Angolana - Angola Xyami. Sobre a Enciclopédia teremos muito tempo para falar, mas fica o convite à todos os espertos de todos os campos do saber a debruçarem-se.
- Método
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- Temas
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Antigo 05-12-2008, 01:35 PM
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Thumbs up Antonio Agostinho Neto e o Dia do Heroi Nacional Angolano

Angolanos comemoram "Dia do Herói Nacional"


Foto Angop/ArquivoAntónio Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola
Luanda, 16/09 – O 17 de Setembro é, particularmente para os angolanos, uma data vivida de forma especial, porque se traduz num acontecimento, também muito especial, o nascimento de António Agostinho Neto, 17/09/1922, ou “Dia do Herói Nacional”.

Esta efeméride, que segunda-feira se comemora, foi instituída em 1980, em memória do primeiro Presidente de Angola, aquele que em 11 de Novembro de 1975 proclamou a independência nacional, depois de longos anos de colonização portuguesa.

Trata-se de um tributo àquele que é considerado o “guia imortal da revolução angolana”, em reconhecimento à sua grande capacidade intelectual, postura de estadista, lutador, político, homem de cultura e pela sua contribuição na luta de libertação não só dos angolanos mas de outros povos.

Cedo Agostinho Neto assumiu o combate a manifestações negativas como tribalismo, regionalismo, racismo entre outros preconceitos atentatórios à unidade nacional e reconciliação dos angolanos.

“Temos sempre lutado pela unidade nacional para que todo o cidadão do nosso país, seja qual for a área geográfica que habite, qual for a sua raça ou tribo, ou a língua que fale, se sinta essencialmente um homem que contribui para o desenvolvimento desta nação (…)”, disse um dia Neto, num dos seus pronunciamentos.

Frases como, “Angola é e será, por vontade própria, trincheira firme da revolução em África” ou “na Namíbia, no Zimbabwe e na África do Sul está a continuação da nossa luta”, demonstraram bem como Agostinho Neto vivia preocupado não só com Angola, mas com outros povos, que clamavam por solidariedade.

Volvidos 28 anos, desde a sua morte, a 10 de Setembro de 1979, em Moscovo, por doença, são justificáveis os elogios de personalidades como o antigo estadista namibiano, presidente da Swapo, Sam Nujoma, ao afirmar que António Agostinho Neto foi um verdadeiro e grande panafricanista que, desde muito cedo, lutou para a conquista da independência dos países do continente.

Numa missiva, o antigo presidente namibiano realça que o nacionalista angolano envolveu-se na luta armada da Namíbia, enquanto liderava a do povo de Angola contra o colonialismo português. Outro político estrangeiro que se referiu esta semana a Neto foi o nacionalista moçambicano Marcelino dos Santos, tendo apontado a determinação, perseverança e clareza política de António Agostinho Neto como três qualidades que exigiam muito respeito pelo primeiro presidente de Angola.

Outro acto que veio revigorar a importância da memorização da figura do primeiro Presidente de Angola foi o nascimento, sexta-feira, no Palácio do Congressos, em Luanda, da “Fundação Agostinho Neto”.

A instituição, presidida pela viúva de Neto, Maria Eugénia Neto, tem como objectivos continuar a obra de Agostinho Neto, adaptando-a às mudanças dos tempos e dos homens, permitindo as gerações actuais e vindouras um conhecimento não dogmático e sem preconceitos. Dentre os propósitos preconizados, consta também a promoção da pesquisa e divulgação da vida e obra de Agostinho Neto e a realização de actividades concorrentes ao bem-estar dos angolanos.

A par da criação desta fundação, realizam-se, como tem sido hábito em Angola por esta ocasião, várias actividades de âmbito político, recreativo e sobretudo cultural, faceta em que Agostinho Neto também se destacou como poeta humanista, dado que a sua poesia exprime marcadamente uma mensagem de salvação.

Na opinião do ministro angolano dos Antigos Combatentes e Veteranos de Guerra, Pedro Van-dúnem, o poema Renúncia Impossível, por exemplo, é uma das suas obras poéticas, cuja dimensão política e cultural contém uma mensagem de salvação e indiciando caminhos para a libertação.

António Agostinho Neto nasceu a 17 de Setembro de 1922, na aldeia de Kaxicane, região de Icolo e Bengo, a cerca de 60 quilómetros de Luanda, e formou-se em medicina pela Universidade de Lisboa.

Após ter concluído o curso liceal em Luanda, Neto trabalhou nos serviços de saúde. Viria a tornar-se rapidamente uma figura proeminente do movimento cultural nacionalista que, durante os anos quarenta, conheceu uma fase de vigorosa expansão.

Pelo seu envolvimento em actividades políticas experimentou a prisão pela primeira vez em 1951, ao ser preso quando reunia assinaturas para a Conferência Mundial da Paz em Estocolmo.

A 11 de Novembro de 1975, após 14 anos de dura luta contra o colonialismo e o imperialismo, proclamou a independência nacional, objectivo pelo qual deram a vida tantos e tão dignos filhos da Pátria Angolana, tendo sido nessa altura investido no cargo de Presidente da (então) República Popular de Angola.

Agostinho Neto faleceu a 10 de Setembro de 1979 em Moscovo, ex-URSS, vítima de doença.

Por Zola Mbenga/Adérito Ferreira
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Antigo 05-12-2008, 01:42 PM
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Cool Agostinho Neto “versus” Alda Lara - Poesia, patriotismo e diáspora

Agostinho Neto “versus” Alda Lara
Poesia, patriotismo e diáspora





António Agostinho Neto e Alda Lara, médicos e celebrados poetas angolanos, tiveram em comum duas outras características não menos emocionantes: o amor por Angola em versos que circulam pelo Mundo inteiro e também o anunciado e cumprido desejo, por ambos expresso enquanto na diáspora, de regressarem à sua terra. Neto, político visceral e impulsivo, natural de Icolo e Bengo, reflectia sobretudo o país inteiro. Alda, na sua fragilidade sentimental feminina, poetisa de apuradas adrenalinas, tinha em vista horizontes políticos menos programáticos e sobretudo arteriais: a humana e emocional geografia social de Angola, os seus dramas e alegrias, com Benguela por epicentro.
Neto escreveu: “Havemos de Voltar” e falava de política. Alda, mais repentista, jurou numa magnífica ode de grande firmeza patriótica a partir do exterior, nos idos anos da década de 60 do século passado em Portugal, a nostalgia impaciente do regresso:

“Sim! Eu hei-de voltar,
tenho de voltar,
não há nada que me impeça.
Com que prazer
hei-de esquecer toda esta luta insana,
porque em frente está a terra angolana
a prometer o mundo
a quem regressa.”

Agostinho Neto tinha uma proposta política, Alda Lara uma escolha sentimental. Ele empunhava uma pistola invisível (na realidade, uma caneta de aparo afiado como navalha) com a qual alvejava os seus inimigos mais próximos: o regime fascista/colonial português e seus executantes. Lara, a menina de Benguela, mana querida do Ernesto Lara Filho, transpirava sentimentos e capacidades de resposta para a área social.
Neto escreveu:

“Minha mãe
(todas as mães negras
cujos filhos partiram)
tu me ensinaste a esperar
como esperaste nas horas difíceis.
Mas a vida
matou em mim essa mística esperança.
Eu já não espero
sou aquele por quem se espera.”

Neto e Alda, no testemunho das suas escritas, acabaram por se complementar. Neto foi o líder político que fundou a nacionalidade angolana e seu primeiro presidente. Alda, a arauto da sociedade civil. Hoje, Angola não sobreviveria à falta de memória de qualquer deles. Lutaram pela Pátria, em determinado momento e conjuntura, com as armas de que dispunham. O amor deles pelo país, as suas certezas e desafios, tinham muito de simultâneo. Manguchi fez política com a poesia, Alda entregou-se a uma poesia em que a política, estando implícita, é sobretudo do foro dos sentimentos.
Agostinho Neto, de Icolo e Bengo, também sofria as angústias do exílio. No seu livro “Sagrada Esperança”, escreveu o seguinte poema de expectativa emocional, todavia marcado pelo espectro da saudade numa referência ao seu regresso temporário a Angola, em meados da década de 50, antes de voltar a ser preso e conhecer o exílio:

“Quando voltei
as casuarinas tinham desaparecido da cidade.
E também tu
amigo Liceu (Vieira Dias)
voz consoladora dos ritmos quentes da farra
nas noites dos sábados infalíveis”.
Alda Lara, porém, trazia a Angola social à flor dos lábios nos poemas de amargura que escrevia durante a sua diáspora estudantil, pensando no regresso adivinhado e decidido:
“Quando eu voltar,
que se alongue sobre o mar
o meu canto ao Criador!
Porque me deu vida e amor
para voltar.

Mas Agostinho Neto, poeta suficiente nos intervalos da política, agitador, estratego político e conspirador independentista com sucesso demonstrado pela independência de Angola em 11 de Novembro de 1975, já ia mais longe:

“Às casas, às nossas lavras
às praias, aos nossos campos
havemos de voltar.
(...)
Havemos de voltar
à Angola libertada
Angola independente”.


Voltaram ambos para ser sepultados na sua terra. Primeiro Alda, tarde demais para intervir no tecido social do país, como pretendia. Depois Neto, que programou e fez cumprir a independência nacional devolvendo o país aos seus filhos, finando-se três anos depois. Em glória, mas também sem muito tempo para usufruir e deleitar-se com o Estado livre que o seu pulso de chefe fez brotar.

Alda Lara, a poetisa de Benguela que faleceu prematuramente em 1962, anda esquecida em Angola por uma certa intelectualidade que, não obstante, não desconhece a importância da sua obra literária e o lugar de excelência que lhe cabe na literatura angolana, em que foi e é até hoje a voz feminina de maior sensibilidade, aliando ao acervo poético significativo que deixou, uma oficina de escrita passível de ser classificada já na década de 60 do século findo como de modernidade.

Cantou Angola, seu país idolatrado em cada verso de poemas destilados por uma alma grávida de fantasias, sonho e saudades da pátria, nas longas noites de Benguela, Lisboa e Coimbra, onde durante anos estudou e se formou em Medicina. A herança poética legada transpira a exílio, saudade obsessiva da terra angolana, suas gentes, os lugares da infância, os amigos e as expectativas de um futuro em que pretendia participar logo que possível com o seu contributo profissional de médica.

Os seus poemas, editados postumamente num volume único de obras completas pelas Publicações Imbondeiro, da Huíla, constituem um testemunho de angolanidade e um tesouro literário que as novas gerações têm o direito de conhecer. Deixou de escrevê-los em 30 de Janeiro de 1962, apenas alguns dias antes de ser sepultada no pequeno cemitério do Dondo, perto de uma acácia rubra que, por certo, passou a florir o ano inteiro em homenagem à sua sensibilidade e às suas odes de refinada arquitectura poética, invulgar para a época.

No poema que intitulou “Presença Africana”, Alda Lara, a poetisa de Benguela, escreveu os versos épicos e comoventes que se seguem:

“E apesar de tudo
ainda sou a mesma!
Livre e esguia
filha de quanta rebeldia me sagrou.
Mãe-África!
Mãe forte da floresta e do deserto,
ainda sou
a Irmã-Mulher
de tudo o que em ti vibra puro e incerto...

Este discurso poético, claramente nacionalista, cultural e reivindicativo de Alda era já um grito de revolta quando tinha a idade de 23 anos. Quantos de nós, transportados a essa época, gostaríamos de ter sabido escrever com a mesma aptidão literária sentimentos tão simples, mas de tanta determinação e esmerada técnica. E, no entanto, muitos dos que beberam inspiração poética (e até patriótica) na obra desta insigne filha da Cidade das Acácias Rubras, irmã do também notável poeta Ernesto Lara Filho, fazem hoje vista grossa à importância do seu testamento de (também ela) precursora de uma pré-poesia angolana que à época despontava.

Alda Pires Barreto de Lara e Albuquerque (o último dos apelidos obtido por casamento com Orlando de Albuquerque, médico moçambicano que trabalhou longos anos em Angola e que foi também um conceituado escritor e crítico literário) nasceu em Benguela em 9 de Junho de 1930 e ali passou grande parte da sua infância, por certo a coleccionar emoções que derramaria mais tarde na poesia que escreveu.

Filha de um comerciante abastado, foi criada no característico meio crioulo da urbe das Acácias Rubras da década de 30, onde apesar da circunstância colonial não faltavam cultores da velha escola republicana portuguesa anterior ao Estado Novo, a par de remanescentes dos tempos da tipóia e do comércio sertanejo. A princesa das poetisas angolanas teve, como era próprio do seu tempo, uma educação profundamente cristã. Seu marido escreveu em breve biografia dela, na obra “Alda Lara - a Mulher e a Poetisa” (Publicações Imbondeiro, 1967), que essa formação multidisciplinar lhe conferiu sempre “um vincado espírito de liberalismo”.

Fez a instrução primária em Benguela, sempre franzina de corpo e de saúde, frequentando depois um colégio de madres em Sá da Bandeira (actual Lubango), onde prosseguiu estudos até ao 6º ano. Depois partiu para Lisboa, onde terminaria os estudos liceais e frequentou a Faculdade de Medicina, não se limitando a aprender a curar pessoas, mas destacando-se também como dirigente estudantil. E ainda arranjava tempo para se dedicar à literatura, fazendo conferências e palestras, escrevendo alguns dos belos poemas que nos deixou e convivendo com outros jovens literatos angolanos que, como ela, viriam a ser celebrizados na literatura nacional.

Em Lisboa, lidou com poetas seus compatriotas como Alexandre Dáskalos e Agostinho Neto. E seguia de perto a produção poética feita em Angola por outros vates efervescentes que viriam a ser emblemáticos, como António Jacinto, Viriato da Cruz, António Cardoso e Aires de Almeida Santos.

Casou em Portugal com o médico Orlando de Albuquerque, após uma breve visita a Benguela para visitar a família, indo depois viver em Coimbra, onde o marido exerceu clínica antes de ser transferido para Angola. A sua saúde era, já então, precária. Sofria de crises de asma e padecia de uma úlcera duodenal. Mas quando concluiu o curso de Medicina já era mãe de quatro filhos, um dos quais lhes seguiu as pisadas de médico, Pedro Albuquerque, especialista em oftalmologia e oficial das Forças Armadas Angolanas (FAA), onde continua a exercer carreira clínica profissional e chefia de serviços.

Alda, que após a transferência de Orlando de Albuquerque para o hospital de Cambambe ficara em Coimbra para terminar o seu curso de Medicina, que concluiu com elevada classificação ao apresentar uma tese de licenciatura sobre psiquiatria infantil, não resistiu por muito mais tempo ao apelo do seu inesgotável amor por Angola, nem às saudades da família. Em Agosto de 1961, juntou-se ao marido na pequena localidade, ali trabalhando com ele, médico de serviço na terra. Mas apenas teve mais cinco meses de vida após o regresso, dado o seu estado clínico terminal. Faleceu em 30 de Janeiro de 1962.

Foi sepultada no velho cemitério do Dondo, onde uma acácia de belas flores vermelhas, a avivar lembranças da sua meninice em Benguela, deve ter decorado os seus versos.

Ela e Neto foram os dois mais altos índices da nacionalidade cultural de Angola, homem e mulher. Era tempo de serem recuperados nas suas particularidades menos afloradas: falo da faceta sentimental de Agostinho Neto e do referencial político da poetisa de Benguela. E acho que valeria a pena os especialistas ocuparem-se disso.




João Serra
JA
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Antigo 05-12-2008, 01:49 PM
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Red face Biografia de Antonio Agostinho Neto (Kilamba) - escrita pelo MPLA

Agostinho Neto
(Kaxicane 17 de Setembro de 1922, - Moscovo 1997)

Agostinho Neto nasceu na aldeia de Kaxicane, região de Icolo e Bengo, a cerca de 60 km de Luanda. O pai era pastor e professor da Igreja Metodista e, a sua mãe, era igualmente professora.
Após ter concluído o curso liceal em Luanda, trabalhou nos serviços de saúde e viria a tornar-se rapidamente uma figura proeminente do movimento cultural nacionalista que, durante os anos quarenta, conheceu uma fase de vigorosa expansão em Angola.


Decidido a formar-se em Medicina, embarca para Portugal em 1947 e matricula-se na Faculdade de Medicina de Coimbra, e posteriormente na de Lisboa. Dois anos depois da sua chegada à Portugal, foi-lhe concedida uma bolsa de estudos pelos Metodistas Americanos.

Envolve-se desde muito cedo em actividades políticas sendo preso em 1951, quando reunia assinaturas para a Conferência Mundial da Paz em Estocolmo. Após a sua libertação, retoma as actividades politicas e torna-se representante da Juventude das colónias portuguesas junto do Movimento da Juventude Portuguesa, o MUD juvenil. E foi no decurso de um comício de estudantes a que assistiam operários e camponeses que a PIDE o prendeu pela segunda vez, em Fevereiro de 1955 só vindo a ser posto em liberdade em Junho de 1957.

Por altura da sua prisão em 1955 veio ao lume um opúsculo com poemas seus, que denunciavam as amargas condições de vida do Povo angolano.

A sua prisão desencadeou uma vaga de protestos em grande escala. Realizaram-se encontros; escreveram-se cartas e enviaram-se petições assinadas por intelectuais franceses de primeiro plano, como Jean-Paul Sart, André Mauriac, Aragon e Simone de Beauvoir, pelo poeta cubano Nicolás Gullén e pelo pintor mexicano Diogo Rivera, e em 1957, Agostinho Neto, foi eleito Prisioneiro Político do Ano pela Amnistia Internacional.

Em 1958, Agostinho Neto licenciou-se em Medicina e, casou com Maria Eugénia, no próprio dia em que concluiu o curso. Neste mesmo ano, foi um dos fundadores do clandestino Movimento Anticolonial (MAC), que reunia patriotas oriundos das diversas colónias portuguesas.

Em 30 de Dezembro de 1959. Neto voltou ao seu País, com a mulher, Maria Eugénia, e o filho de tenra idade, e passou a exercer a medicina entre os seus compatriotas. Em 8 de Junho de 1960, o director da PIDE veio pessoalmente prender Neto no seu Consultório em Luanda.
Uma manifestação pacífica realizada na aldeia natal de Neto em protesto contra a sua prisão foi recebida pelas balas da polícia. Trinta mortos e duzentos feridos foi o balanço do que passou a designar-se pelo Massacre de Icolo e Bengo. Receando as consequências que podiam advir da sua presença em Angola, mesmo encontrando-se preso, os colonialistas transferiram Neto para uma prisão de Lisboa e, mais tarde enviaram-no para Cabo Verde, para Santo Antão e, depois para Santiago, onde continuou a exercer a medicina sob constante vigilância política.

Foi, durante este período, eleito Presidente Honorário do MPLA.

Por mostrar a alguns amigos em Santiago (Cabo Verde) uma fotografia, em que um grupo de jovens soldados portugueses sorriam para a câmara, segurando um deles uma estaca em que foi espetada a cabeça de um angolano e inserta em diversos jornais (por exemplo, no Afrique Action, semanário que se publica em Tunes) Agostinho Neto foi preso na cidade da Praia em 17 de Outubro de 1961 e transferido depois para a prisão de Aljube em Lisboa.

Sob forte pressão, interna e externa, as autoridades fascistas viram-se obrigadas a libertar Neto em 1962, fixando-lhe residência em Portugal. Todavia, pouco tempo depois da saída da prisão, Agostinho Neto, em Julho de 1962, saiu clandestinamente de Portugal com a mulher e os filhos pequenos, chegando a Léopoldville (Kinshasa), onde o MPLA tinha ao tempo a sua sede exterior,

Em Dezembro desse ano, foi eleito presidente do MPLA durante a Conferência Nacional do Movimento.

Em 1970 foi-lhe atribuído o Prémio Lótus, pela Conferência dos Escritores Afro-Asiáticos

Com a "Revolução dos Cravos" em Portugal e a derrocada do regime fascista de Salazar, continuado por Marcelo Caetano, em 25 de Abril de 1974, o MPLA considerou reunidas as condições mínimas indispensáveis, quer a nível interno, quer a nível externo, para assinar um acordo de cessar-fogo com o Governo Português, o que veio a acontecer em Outubro do mesmo ano.
Agostinho Neto regressa a Luanda no dia 4 de Fevereiro de 1975, sendo alvo da mais grandiosa manifestação popular de que há memória em Angola

Agostinho Neto que na África de expressão portuguesa é comparável à Léopold Senghor na África de expressão francesa. foi um esclarecido homem de cultura para quem as manifestações culturais tinham de ser, antes de mais, a expressão viva das aspirações dos oprimidos, armas para a denúncia de situações injustas, instrumento para a reconstrução da nova vida.
Membro fundador da União dos Escritores Angolanos, foi eleito pelos seus pares o seu primeiro Presidente.

Fontes: http://www2.ebonet.net/MPLA/bio_aneto.htm#top

Bibliografia:
Quatro Poemas de Agostinho Neto, 1957, Póvoa do Varzim, e.a.;
Poemas, 1961, Lisboa, Casa dos Estudantes do Império;
Sagrada Esperança, 1974, Lisboa, Sá da Costa (inclui os poemas dos dois primeiros livros);
A Renúncia Impossível, 1982, Luanda, INALD (edição póstuma).
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Antigo 05-12-2008, 01:52 PM
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Post Biografua resumida de António Agostinho Neto - político, poeta e médico

Biografua resumida de António Agostinho Neto - político, poeta e médico

Biografia (resumida):

António Agostinho Neto (Icolo e Bengo, 17 de Setembro de1922 — Moscovo, 10 de Setembro de 1979) formado em medicina pela Universidade de Lisboa, em 1975 tornou-se o primeiro Presidente de Angola, cargo que ocupou até 1979, ano em que faleceu. Em 1975-1976 foi-lhe atribuído o Premio Lenin da Paz.

Fez parte da geração de estudantes africanos que viria a desempenhar um papel decisivo na independência dos seus países naquela que ficou designada como a Guerra Colonial Foi preso pela PIDE e deportado para o Tarrafal (campo de concentracao no Arquipelago de Cabo verde) sendo-lhe fixada residência em Portugal, de onde fugiu para o exilio. Aí assumiu a direcção do MPLA, (Movimento Popular para a Libertacao de Angola) do qual já era presidente honorário desde 1962.

Obra literária

Poesia:
1957 - Quatro Poemas de Agostinho Neto, Povoa de Varzim e.a.
1961 - Poemas, Lisboa, Casa dos Estudantes do Império
1974 - Sagrada Esperança, Lisboa, Sá da Costa (inclui os poemas dos dois primeiros livros)
1982 - A Renúncia Impossível, Luanda, INALD (edição póstuma)
Política:
1974 - Quem é o inimigo... qual é o nosso objectivo?
1976 - Destruir o velho para construir o novo
1980 - Ainda o meu sonho






Negação

Não creio em mim
Não existo
Não quero eu não quero ser

Quero destruir-me
atirar-me de pontes elevadas
e deixar-me despedaçar
sobre as pedras duras das calçadas

Pulverizar o meu ser
desaparecer
não deixar sequer traço de passagem
pelo mundo

quero que o não-eu
se aposse de mim

Mais do que um simples suicídio
Quero que esta minha morte
seja uma verdadeira novidade histórica
um desaparecimento total
até mesmo nos cérebros
daqueles que me odeiam
até mesmo no tempo
e se processe a História
e o mundo continue
como se eu nunca tivesse existido
como se nenhuma obra tivesse produzido
como se nada tivesse influenciado na vida
se em vez de valor negativo
eu fosse zero

Quero ascender
elevar-me até atingir o Zero
e desaparecer

Deixai-me desaparecer!

Mas antes vou gritar
Com toda a força dos meus pulmões
Para que o mundo oiça:

- Fui eu quem renunciou a Vida!
Podeis continuar a ocupar o meu lugar
Vós os que mo roubastes

Aí tendes o mundo todo para vós
para mim nada quero
nem riqueza nem pobreza
nem alegria nem tristeza
nem vida nem morte
nada

Não sou Nunca fui
Renuncio-me
Atingi o Zero

E agora
vivei cantai chorai
casai-vos matai-vos embriagai-vos
dai esmolas aos pobres
Nada me pode interessar
que eu não sou
Atingi o Zero

Não contem comigo
para vos servir as refeições
nem para cavar os diamantes
que vossas mulheres irão ostentar em salões
nem para cuidar das vossas plantações
de algodão e café
não contem com amas
para amamentar os vossos filhos sifilíticos
não contem com operários
de segunda categoria
para fazer o trabalho de que vos orgulhais
nem com soldados inconscientes
para gritar com o estômago vazio
vivas ao vosso trabalho de civilização
nem com lacaios
para vos tirarem os sapatos
de madrugada
quando regressardes de orgias noturnas
nem com pretos medrosos
para vos oferecer vacas
e vender milho a tostão
nem com corpos de mulheres
para vos alimentar de prazeres
nos ócios da vossa abundância imoral

Não contem comigo
Renuncio-me
Eu atngi o Zero

E agora podeis queimar
os letreiros medrosos
que às portas de bares hotéis e recintos públicos
gritam o vosso egoismo
nas frases “SÓ PARA BRANCOS” ou COLOURED MEN ONLY”
Negros aqui brancos acolá

E agora podeis acabar
com os miseráveis bairros de negros
que vos atrapalham a vaidade
Vivei satisfeitos sem colour lines
sem terdes que dizer aos frequeses negros
que os hotéis estão abarrotados
que não há mais mesas nos restaurantes
Banhai-vos descansados
nas vossas praias e piscinas
que nunca houve negros no mundo
que sujassem as águas
ou os vossos nojentos preconceitos
com a sua escura presença

Dissolvei o Ku-Klux-Klan
que já não há negros para linchar!

Porque hesitais agora!
ao menos tendes oportunidade
para proclamardes democracias
com sinceridade

Podeis inventar uma nova história
inclusivamente podeis inventar uma nova mística
direis por exemplo: No princípio nós criamos o mundo
Tudo foi feito por NÓS
E isso nada me interessa

Ah!
que satisfação eu sinto
por ver-vos alegres no vosso orgulho
e loucos na vossa mania de superioridade

Nunca houve negros!
A África foi construida só por vós
A América foi colonizada só por vós
A Europa não conhece civilizações africanas
Nunca houve beijos de negros sobre faces brancas
nem um negro foi linchado
nunca matastes pretos a golpes de cavalomarinho
para lhes possuirdes as mulheres
nunca estorquistes propriedades a pretos
não tendes nunca tivestes filhos com sangue negro
ó racistas de desbragada lubricidade

Fartai-vos agora dentro da moral!

Que satisfação eu sinto
por não terdes que falsear os padrões morais
para salvaguardar
o prestígio a superioridade e o estômago
dos vossos filhos

Ah!
O meu suicídio é uma novidade histórica
é um sádico prazer
de ver-vos bem instalados no vosso mundo
sem necessidade de jogos falsos

Eu elevado até o Zero
eu transformado no Nada-histórico
eu no início dos tempos
eu-Nada a confundir-me com vós-Tudo
sou o verdadeiro Cristo da Humanidade!

Não há nas ruas de Luanda
negros descalços e sujos
a pôr nódoas nas vossas falsidades de colonização

Em Lourenço Marques
em New York em Leopoldville
em Cape Town
gritam pelas ruas
fogueteando alegrias nos ares

- Não há negros nas ruas!
Nunca houve
Não há negros preguiçosos
a deixar os campos por cultivar
e renitentes à escravização
já não há negros para roubar
Toda a riqueza representa agora o suor do rosto
e o suor do rosto é a poesia da vida
Viva a poesia da vida!
Viva!

Não existe música negra
Nunca houve batuques nas florestas do Congo
Quem falou em spirituals?
Os salões enchem-se de Debussy Strauss Korsakoff
que não há selvagens na terra
Viva a civilização dos homens superiores
sem manchas negróides a perturbar-lhe a estética!
Viva!

Nunca houve descobrimentos
a África foi criada com o mundo

O que é a colonização?
O que são os massacres de negros?
O que são os esbulhos de propriedade?
Coisas que ninguém conhece

A história está errada
Nunca houve escravatura
Nunca houve domínio de minorias
orgulhosas da sua força

Acabei com as cruzadas religiosas
A fé está espalhada por todo o mundo
sobre a terra só há cristãos
VÓS sois todos cristãos

Não há infiéis por converter
Escusais de imaginar mais infidelidades religiosas
para justificar
repugnantes actos de barbarismo

Não necessitais enviar mais missionários
a África
nem nos bairros de negros
Nunca houve mahamba
nem concepções religiosas diferentes
nunca houve religiosos a auxiliar a ocupação militar

Acabai com os missionários
os seus sofismas
os seus milagres
inventados para justificar ambições e vaidades

Possuis tudo TUDO
e sois todos irmãos

Continuai com os vossos sistemas políticos
ditaduras democráticas
isso é convosco
Explorai o proletariado
matai-vos uns aos outros
lutai pela glória
lutai pelo poder
criai minorias fortes
apadrinhai os afilhados dos vossos amigos
criai mais castas
aburguesai as ideias
e tudo sem a complicação
de verdes intrusos
imiscuir-se na vossa querida
e defendida civilização de homens
privilegiados

E agora
homens irmãos
daí-vos as mãos
gritai a vossa alegria de serdes sós
SÓS!
únicos habitantes da terra

Eu artingi o Zero

Isto significa extraordinariamente a vossa ética
Ao menos
não percais a ocasião para serdes honestos

Se houver terramotos
calamidades cheias ou epidemias
ou terras a defender da evasão das águas
ou motores parados em lamas africanas
raios vos partam!
já não tereis de chamar-me
para acudir as vossas desgraças
para reparar os vossos desastres
ou para carregar com a culpa das vossas incúrias
Ide para o diabo!

Eu não existo
Palavra de honra que nunca existi
Atingi o Zero
o Nada

Abençoada a hora
do meu super-suicídio
para vós
homens que construís sistemas morais
para enquadrar imoralidades

O sol brilha só para vós
a lua reflecte luz só para vós
nunca houve esclavagistas
nem massacres
nem ocupações da África

Como até a história
se transforma num tratado de moral
sem necessidade de arranjos apressados!

Os pretos dos cais não existem
Nunca foram ouvidos cantos dolentes
misturados com a chiadeira do guindaste
Nunca pisaram os caminhos do mato
carregadores com sem quilos às costas
são os motores que se queimam sob as cargas

Ó pretos submissos humildes ou tímidos
sem lugar nas cidades
ou nos escaninhos da honestidade
ou nos recantos da força
dançarinos com a alma poisada no sinal menos
polígamos declarados
dançarinos de batuques sensuais
Sabeis que subistes todos de valor
atingistes o Zero sois Nada
e salvastes o homem

Acabou-se o ódio
e o trabalho de civilização
e a náusea de ver meninos negros
sentados na escola
ao lado de meninos de olhos azuis
e as extorções e compulsões
e as palmatoadas e torturas
para obrigar inocentes a confessar crimes
e medos de revolta
e as complicadas demarches políticas
para iludir as almas simples

Acabaram-se as complicações sociais!

Atingi o Zero
Cheguei à hora do início do mundo
e resolvi não existir

Cheguei ao Zero-Espaço
ao Nada-Tempo
ao eu coincidente com vós-Tudo

E o que é mais importante:
Salvei o mundo!


Agostinho Neto

In A Renuncia Impossivel
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agostinho neto, angola, colono, indepencia, luta de libertação, mpla

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